quinta-feira, 22 de setembro de 2016

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Literatura - Viver é perigoso


Em breve, uma pequena ficção sobre o suicídio e as questões existenciais que mais afetam de jovens na atualidade.


ESTAÇÃO AMIZADE foi escrito entre 14 e 21 de maio de 2016 e relata os conflitos existenciais de jovens, todos relacionados direta ou indiretamente ao suicídio. O narrador é um desses jovens e também está em busca de uma solução para os seus problemas íntimos.

É a história de Hugo, Carla, Samantha, Verônica, Tarso, Gabriel, Larissa, Ariane e Gabriela. Nove jovens lutando para salvar suas própria vidas. Ela é contada por um décimo personagem, que relata as experiências dos amigos e também a sua luta pela sobrevivência existencial.

ESTAÇÃO - Estado de espírito que nos impulsiona no tempo cronológico (Kronos), no sentido Sul-Norte, estimulando pensamentos, sentimentos e ações. Esse percurso, ao prestarmos atenção na bússola e não somente no relógio, pode nos conduzir ao tempo psicológico (Kairós) e muito provavelmente a uma condição chamada Plenitude, que é sempre o início de uma nova trajetória. Caso contrário, podemos estacionar e recomeçar de onde paramos.

Para cada pessoa uma trajetória. Para cada trajetória uma estação diferente.

Qual é a sua Estação?

Qual o rumo da sua viagem?


PS. O livro tem como objetivo estimular a formação de comitês de jovens para prevenção do suicídio. e tem o apoio do CVV-Centro de Valorização da Vida.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

MUDANÇAS I

Tecnologia resolve problemas e muda costumes. Santos Dumont inventou o relógio de pulso para ganhar tempo, evitando tirar e colocar as mãos sujas nos bolsos durante suas atividades na sua oficina de vôo. 50 anos depois o relógio de bolso praticamente desapareceu. Hoje,num único aparelho celular, temos relógio, vídeo,computador, gravador, editor de texto e imagem,máquina fotográfica,filmadora,calendário, calculadora e uma infinidade de aplicativos.Mas é preciso também tomar cuidado com as mudanças pessoais. Santos Dumont não cuidou das suas limitações íntimas, sucumbiu à depressão e cometeu suicídio.Poderia ter sido diferente, se tivesse buscado ajuda e desfrutasse de amizade como apoio. Pense nisso.

MUDANÇAS II



George Eastman mudou a vida de muitas pessoas: criou e popularizou a câmera fotográfica e o filme de rolo.Tornou-se bilionário ao criar a marca e o império da Kodak. Mas o empresário e inventor descuidou da vida pessoal. Triste e deprimido, dizia frequentemente para os poucos amigos que já havia cumprido sua missão e que não iria esperar. Cometeu suicídio. A Kodak também sofreria graves mudanças com as novas invenções digitais, mostrando que a vida sempre tem muitos aspectos que precisam ser muito bem cuidados. Pense nisso.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Levante-se, fique em pé e desafie a Lei da Gravidade

O Homem tem ao longo da sua existência muitos inimigos e inúmeros obstáculos que dificultam suas lutas. São as muitas situações e circunstâncias do dia a dia, das mais simples às mais complexas, que impedem que ele cumpra suas tarefas diárias, que conquiste seus objetivos e realize seus sonhos. Mas de todos esses impedimentos e dificuldades o maior deles talvez seja a lei da Gravidade, esse imperativo natural invisível e silencioso que nos mantém fisicamente presos ao chão e mais profundamente, sob o jugo da força mental, ao Magma do planeta.

A lei da Gravidade é um limite geológico que nos obriga a ser cautelosos com as coisas do mundo, evitando as quedas físicas e os acidentes naturais, porém, quando não é desafiada pela inteligência e pelo senso moral, torna-se um grilhão perigoso contra a dignidade humana rebaixando-nos à condição dos animais, cuja coluna vertebral na posição horizontal indica submissão e irracionalidade.  Já quando desafiamos a lei da Gravidade, nossa coluna vertebral se posiciona de forma ereta e nossa consciência indica que essa posição vertical não permite mais que retrocedamos ao ponto zero dos graus baixos da evolução; e nos impulsiona constantemente rumo aos noventa graus da racionalidade.

Mesmo mantendo a vertebra ereta e permanecendo em pé, as provas e os obstáculos sempre nos convidam ao recuo e à comodidade do chão, pelo desânimo, medo, preguiça e falta de auto estima. As quedas sociais e morais geralmente quebram o nosso vigor vertebral e faz com que a nossa massa corporal se torne mais densa, tornando o fardo das nossas provas mais pesado e o jugo das nossas obrigações mais terríveis e insuportáveis.

Respeitar a lei da Gravidade é, portanto, uma forma de demonstrar cautela e prudência diante dos perigos do mundo físico. Porém, diante dos grandes desafios morais e metafísicos, é preciso sempre desafiá-la com a coragem e a inteligência. Não para fugir do peso e do jugo e sim para torná-los mais leves e suportáveis. Se não a desafiarmos nessas situações e circunstâncias mais complexas, a própria lei vai entender que não somos dignos da liberdade de ação nem de fazer escolhas; que não queremos alçar voos acima das nossas possibilidades e, imediatamente, aplica sua marca disciplinar e nos impõe a força contrária, que nos empurra para baixo.

Tudo isso acontece sempre que nos depararmos com as provas, momentos mais críticos da vida nos quais podemos ser envolvidos pela atitude ativa ou então tomados pela indecisão passiva. Se agirmos, seremos premiados pelas descobertas e soluções; se não agirmos, seremos torturados pela incerteza e pelas frustrações. E mais:  a nossa indecisão e recusa de mantermos-nos em pé e eretos geralmente vem acompanhada de dores e de provas mais rigorosas, próprias do ambiente anti-social e desordenado que criamos em nosso entorno, pela descrença, revolta e comodidade.  Já quando aceitamos o desafio, a Gravidade entende que não queremos a acomodação, nos liberando numa dinâmica de efeito elevatório e espiral; ela se afasta, retirando-se com os limites do instinto, deixando-nos livre e abertos para as muitas possibilidades da razão e da transformação da consciência.

“Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve.”- Mateus-11:30

Dalmo Duque dos Santos


Imagem: Issac Newnton, por William Blake

sábado, 23 de janeiro de 2016

O Suicídio no século XIX

  Era o século do absinto e do culto à morte pelo duelo e pelas aventuras poéticas autodestruidoras, uma herança negativa de Voltaire e seus discípulos científicos. O índice de suicídios no século XIX foi tão alto que despertaria mais tarde a curiosidade de pioneiros da Sociologia como Émile Durkheim. Numa edição de maio de 1862 o “Siècle” de Paris publicou uma nota comentando o livro de B. Gastineau, pela Casa Dentu, cujo assunto central era uma curiosa estatística de suicídios.

“Calculou-se que desde o começo do século o número de suicídios na França não se eleva a menos de 300.000; e tal estimativa talvez esteja aquém da verdade, pois a estatística não fornece resultados completos senão a partir de 1836. Desde 1836 a 1852, isto é, num período de dezessete anos, houve 52.126 suicídios, ou seja, a média de 3.066 por ano. Em 1858 contaram-se 3.903 suicídios, dos quais 853 mulheres e 3.050 homens; enfim, segundo a última estatística que vimos no correr de 1859, 3.899 pessoas se mataram, a saber 3.057 homens e 842 mulheres.”

A morbidez exercia tanto fascínio no público leitor que no famoso guia “Como Conhecer Paris por cinco guinéus” também constava como um dos programas preferidos dos turistas a visita a La Morgue, um famoso necrotério da Cidade-Luz. As informações davam uma ideia da grande crise existencial que assolava o mundo ocidental.


“Em 1866, a Morgue recebeu um número recorde de defuntos: 733 – sendo 486 homens, 86 mulheres e 161 crianças. Dos 445 identificados, 285 tinham se suicidado atirando-se ao Sena e 36 enforcaram-se, seis tinham se matado com armas de fogo, seis tinham ateado fogo às vestes e outros tantos ingerido veneno, propositalmente ou não, 19 foram vítimas de homicídios e três tinham sido esfaqueados, três morreram de inanição e 82 de morte súbita, em plena rua. Grande parte do suicídios teve como causa o fracasso de especulações na Bolsa de Valores.”

NOVA HISTÓRIA DO ESPIRITISMO. Editora do Conhecimento. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Suicídio. Antoine Wiertz. 1834.


SUICÍDIO - Cornélio Pires (Espírito)

Suicídio, não pense nisso
Nem mesmo por brincadeira...
Um ato desses resulta
Na dor de uma vida inteira.


Por paixão, Quim afogou-se
Num poço de Guararema.
Renasceu em provação
Atolado no enfisema.

Matou-se com tiro certo
A menina Dilermanda.
Voltou em corpo doente,
Não fala, não vê, nem anda.

Pôs fogo nas próprias vestes
Dona Cesária da Estiva...
Está de novo na Terra
Num corpo que é chaga viva.

Suicidou-se a formicida
Maricota da Trindade...
Voltou... Mas morreu de câncer
Aos quatro meses de idade.

Esforçou-se o Columbano
Para mostrar rebeldia...
De volta, trouxe a doença
Chamada paraplegia.

Queimou-se com gasolina
Dona Lília Dagele.
Noutro corpo sofre sarna
Lembrando fogo na pele.

Tolera com paciência
Qualquer problema ou pesar;
Não adianta morrer,
Adianta é se melhorar.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Convite para reflexão e ação



PRESTE MUITA ATENÇÃO!

Você está sendo convidado nesta rápida leitura a auxiliar o seu próximo apenas com a sua boa vontade e da melhor forma que puder. Não é ajuda em dinheiro, espécie ou qualquer gênero material. Sua ajuda será de natureza espiritual, dentro da sua crença, ideias e concepções. Leia as instruções a seguir e saiba como pode ajudar, e muito, a salvar vidas e socorrer milhares de almas sofredoras e atormentadas.

40 MILHÕES DE ALMAS SOFREDORAS.

“Pai Nosso que estai no Céu... não nos deixe cair em tentação mas livrai-nos de todo o mal”.

Nos últimos 30 anos, com as intensas transformações ocorridas na sociedade e nas pessoas, mais de 40 milhões de seres humanos se lançaram nas trevas de si mesmos e na escuridão do Além pelas vias do suicídio.

A ligação dessas almas infelizes com os que ficaram na Terra também é intensa e perturbadora, exigindo cuidados permanentes e constantes orações para que se reergam e não influenciem mental e negativamente os que ficaram na condição de seus sobreviventes e também sujeitos à mesma tragédia moral.

É preciso agir de forma urgente, urgentíssima, para que todo esse sofrimento seja de alguma forma aliviado e extirpado dos corações de crianças, jovens, adultos e idosos. Todos sofrem muito e precisam de ajuda.

Essa deve ser uma tarefa e esforço de todos núcleos de pensamento e ação humana, das religiões, filosofias e também da ciência, que podem ajudar a prevenir e diminuir imensamente os sofrimentos inimagináveis dos que foram, dos que ficaram e dos que correm o risco de sucumbir à autodestruição.

JORNADAS DE SOCORRO

“Vinde a mim vós que sofreis e Eu vos aliviarei”.

Cada núcleo religioso, humanitário e científico tem suas diferentes formas de compreender o suicídio e ajudar os suicidas; e podem fazer muito para diminuir esses sofrimentos.

Eles estão convocados para uma grande jornada de socorro aos mortos, sobreviventes e suicidas em potencial, empreendendo nas suas particularidades todos os esforços para salvar vidas e amparar os que sofrem, nessa vida ou nas dimensões espirituais.

Todos os procedimentos religiosos, mentais, de cura, bem como o conhecimento acumulado sobre o assunto são muito preciosos. Seu templo, sua igreja, seu grupo de estudos, seu grêmio, grupos de amigos, todos podem colaborar de alguma maneira para prevenir o suicídio e valorizar a vida.

O suicídio não é apenas uma questão existencial ou religiosa. É um assunto de saúde pública e cidadania. Afetas pessoas de todas as cultura, classes sociais e idades.

Todo ser humano, ao menos uma vez na vida, já pensou seriamente em cometer suicídio, seja por rebeldia ou para se aliviar de um grande sofrimento íntimo.

PENSAR, ORAR E AGIR PELOS SUICIDAS.

Ave Maria, cheia de graças, rogai por nós os pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”



VALOR DO CONHECIMENTO

Estude o suicídio de todas as formas que puder, na internet, nos livros, palestras, cursos para voluntários do CVV, suas diversas abordagens, os fatos e os mitos, as estatísticas, agregando conhecimento, desenvolvendo conceitos e eliminando preconceitos em torno do assunto. Conhecimento é sempre força e luz em nossas vidas.

VALORIZE E DINAMIZE SUAS BASES CULTURAIS

Todas os núcleos religiosos, filosóficos e científicos entendem que os suicidas são individualidades em sofrimento e isso desperta nos seus membros a ideia de compaixão e solidariedade. Estude como pensa e age as suas bases em torno de assunto. Esclareça-se e procure esclarecer seus companheiros de crença, ideias e concepções. Troque experiências e busque informações um outros núcleos.

ORGANIZE UM PROGRAMA SEMANAL DE AÇÃO

Apenas uma ou duas horas por semana é suficiente para agir com amor e eficiência aos que precisam de socorro. Grupos de Oração, Grupos de Estudos, Grupos de Mediação e Doutrinação, Grupos de Visitas e de Divulgação e Palestras, Grupos de Ajuda Oitiva e Compreensiva são alguns exemplos de ações. Essas ações podem ser feitas - individualmente ou em grupo - em escolas, empresas, templos, hospitais, eventos públicos e privados, repartições de serviço público, presídios, etc. Solicite ao CVV treinamento e instruções de como agir e ajudar.

ORAR PELOS QUE SE MATAM OU QUEREM SE MATAR

Oremos pelo menos uma vez ao dia pelos suicidas. Segundo a OMS –Organização Mundial de Saúde, todos os anos mais de 800 mil pessoas se matam no mundo; uma pessoa a cada 40 segundos. É como se uma cidade muito populosa desaparecesse todos os anos do planeta. O nosso País é o 8º em números absolutos de suicídio no mundo. Isso significa que diariamente 32 pessoas se suicidam, ou 1 pessoa se mata a cada 45 minutos. No Brasil. Vivos ou em outras dimensões, os suicidas clamam por ajuda, enviam pedidos de socorro por meio de pensamentos, sentimentos, sonhos e outros chamados diretos e indiretos de sensibilização. As pessoas dispostas a ajudar podem aliviar essas dores ouvindo os que ainda estão entre nós e também enviando sentimentos de alegria e esperanças aos mortos. Se 1 milhão de pessoas orassem a cada 40 segundos pelos que pretendem se matar, milhares desistiriam da ideia e milhares que se mataram estariam sendo aliviados e socorridos.

FALE ABERTAMENTE SOBRE SUICÍDIO

Mesmo sendo um tabu e assunto cheio de mitos, não tenha medo de falar sobre suicídio ou com pessoas com ideias suicidas. A coragem e a naturalidade é uma poderosa ferramenta de ajuda. Questione as pessoas se elas já pensaram em suicídio. Sempre ofereça apoio moral e informações que você conhece e que podem auxiliar. Use as oportunidades diárias e em todos os lugares para fazer alertas, ouvir os solitários, tristes, angustiados e diminuir o sofrimento pelo suicídio.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Preocupante

Quando alguém lhe disser frequentemente que sente vontade de sumir, desaparecer e que também sente cansaço, muito sono e que gostaria de dormir muito, isso pode ser um sinal de que ela não está mais suportando a vida e que o suicídio faz parte do seu plano de fuga e alívio. Outros sinais muito comuns são as as alternâncias de humor, as reações verbais agressivas e ferinas, tudo para chamar atenção para as dores íntimas que a maioria de nós não vê e não compreende. Quem está assim também está dividido entre morrer e viver e pede socorro, mesmo sendo hostil e sarcástico. Também reclamam muito de que não os enxergamos e que não os tratamos com a devida atenção e respeito. Se irritam com a nossa presença e ao mesmo tempo reclamam da nossa ausência. Não há solução melhor, da nossa parte, senão o amor e uma dedicação firme, que pareça muitas vezes repetitiva e inconveniente. Insista, sempre.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Por que o Rio Grande do Sul é recordista em suicídios

O Rio Grande do Sul é um dos estados brasileiros com melhores indicadores sociais. Por outro lado, lidera estatísticas em uma área que preocupa governos e intriga pesquisadores: o de recordista em taxas de suicídio. Os índices gaúchos atingem o dobro da média nacional. Entre 2007 e 2010, foram 10,2 mortes por suicídio a cada 100 mil habitantes, valor próximo ao de países europeus como Suécia e Noruega, conhecidos pelos índices elevados desse tipo de morte. Dados do Ministério da Saúde, tabulados pela Folha de São Paulo e divulgados em janeiro de 2014, apontam que, no período entre 2007 e 2011, nove das 20 cidades acima de 50 mil habitantes que, proporcionalmente, tiveram mais casos de suicídio, estão no Rio Grande do Sul. A região mais afetada está no vale do Rio Pardo, conhecida como polo mundial da produção de fumo.

Um dos municípios mais ricos da região, Venâncio Aires, teve 79 casos em cinco anos, o equivalente a 23,1 casos para cada 100 mil habitantes. Na cidade de 69 mil habitantes a 127 quilômetros de Porto Alegre, o tema é tabu. A explicação comum é a forte influência da cultura alemã e seus padrões de auto-exigência. Cerca de 10% dos leitos do principal hospital local são destinados à psiquiatria. Nos últimos anos, a prefeitura começou a investir em um programa de prevenção baseado em internações e grupos de ajuda. As autoridades locais não conseguem traçar um perfil dos que correm mais riscos. Entre os que tiraram suas vidas, há de pobres a ricos, jovens e idosos, moradores do centro e da área rural. Enquanto a cidade possui taxas de criminalidade baixas, na delegacia há centenas de fotos de investigações de suicídios, que precisam ser apurados até que a hipótese de crime seja descartada. A enfermeira Cristina Teles, que atua na prevenção no município, diz que uma possível causa é um efeito de repetição. “A pessoa pensa: ‘meu pai fez isso, meu avô fez isso’. Em um momento de crise, cogita também fazer.”

Nos anos 90, uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul levantou uma hipótese que associa a alta dos suicídios ao uso de agrotóxicos chamados organofosforados nas plantações de fumo. O trabalho apontava a possibilidade de o produto gerar efeitos comportamentais no agricultor. O debate sobre o assunto fez com que até um projeto de lei fosse encaminhado no Congresso Nacional banindo o uso esses produtos, mas a proposta segue parada desde 2011. O psiquiatra Ricardo Nogueira, que estudou em seu mestrado as taxas de suicídio no Rio Grande do Sul, vê “múltiplos fatores” no fenômeno e cita a questão da “honra” na tradição gaúcha como uma das causas. Compara o comportamento dos gaúchos e japoneses. É a questão da dignidade, de não poder ser traído, de não levar desaforo. Até a influência do Uruguai, onde os índices são muito superiores aos do Brasil, foi posta como hipótese. O doutor em ciências médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Jair Segal cita a predominância na região de pequenas propriedades familiares, frequentemente afetadas por dívidas ou perdas com o clima.

Muitas hipóteses, estudos e teorias são cogitados, mas, na prática, ficam muitas marcas, pessoas tristes, sofrendo e sem compreender o que fazer, como agir, como lidar com a perda de entes queridos e de amigos. Pessoas que sofrem caladas e decidem morrer.

Divulgar que a prevenção existe, incentivar a criação e a ação de políticas públicas e oferta de apoio são fundamentais para se evitar o suicídio. É preciso informar e apoiar a disseminação de que conversar sobre a vontade que alguns sentem de morrer é mais comum do que se imagina, que todos podemos em algum momento pensar e falar sobre isto, afinal, todos temos aflições, sentimentos que precisam ser compartilhados para que nossa vida possa ser mais leve.

Diante deste quadro, o CVV, em parceria com o Ministério da Saúde, oferece, desde setembro de 2015, um número totalmente gratuito no Rio Grande do Sul, o 188 (nos demais estados, os atendimentos continuam no número 141, através dos Postos locais, ou no www.cvv.org.br, onde é possível conversar via chat, email ou Skype).

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Colaboração da Federação Espírita Brasileira



No Brasil o Centro de Valorização pela Vida possui uma equipe de voluntários aptas a atender 24h pessoas que precisam de ajuda. Seja por chat ou pelo telefone 141, sempre tem alguém disponível para auxiliar as pessoas que precisem de auxílio e orientação. Acesse www.cvv.org.br e conheça melhor o serviço. Divulgue e compartilhe com seus amigos!

Dicas do Ministério da Saúde


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Estudantes fazem alerta sobre o suicídio

http://www.unoesc.edu.br/noticias/single/estudantes-de-psicologia-alertam-sobre-o-suicidio


Acadêmicas de Psicologia da Unoesc Pinhalzinho participaram, recentemente, de uma ação para alertar à população sobre a importância de prevenir o suicídio. As estudantes entregaram folders informativos, distribuíram balões e flores amarelas para quem passava pela praça central de Pinhalzinho. As flores foram confeccionadas por uma mulher que já teve caso na família. Clique no link e leia mais. http://www.unoesc.edu.br/noticias/single/estudantes-de-psicologia-alertam-sobre-o-suicidio

REAGINDO À DEPRESSÃO


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Setembro Amarelo



Prevenção do Suicídio


Você sabia que o primeiro serviço telefônico de prevenção do suicídio foi organizado por causa da morte de uma menina de 14 anos. Ela se matou, com medo dos pais, porque teve os primeiros sinais da menstruação e pensou que havia contraído uma doença venérea. Se matou por falta informação e por causa do tabu do sexo. O caso aconteceu em Londres nos anos 1930 e foi registrado por um sacerdote anglicano, que teve que cuidar do cadáver da menina , pois era proibido enterrar suicidas nos cemitérios públicos. Outro tabu. Muitas pessoas se matam por causas obscuras inúmeras que ficam em segredo e que poderiam ter sido salvas apenas com um gesto de amizade e compreensão. Foto: Sir Chad Varah, fundador dos Samaritanos em Londres.

Fonte: Livro "CVV, 50 Anos Ouvindo Pessoas".

sábado, 27 de junho de 2015

Prevenção do Suicídio no Exército Brasileiro


A Diretoria de Civis, Inativos, Pensionistas e Assistência Social (DCIPAS) promoveu, em 18 de junho de 2015, o I ENCONTRO SOBRE PREVENÇÃO AO SUICÍDIO, que contou com a participação da Diretoria de Saúde (DSau), Centro de Estudos do Pessoal (CEP), Diretoria de Saúde Mental do Distrito Federal, Centro de Valorização da Vida (CVV) e Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. O Encontro, de caráter multidisciplinar, teve por objetivo conhecer e discutir a temática do suicídio, com vistas ao desenvolvimento de um programa de prevenção voltado para os militares, servidores civis e seus dependentes no âmbito do Comando do Exército.

domingo, 21 de junho de 2015

CVV quer ampliar oferta de atendimento


O CVV- Centro de Valorização da Vida quer ampliar sua oferta de apoio emocional com postos físicos, postos virtuais e grupos de ajuda mútua. Com o crescimento dos fatores de risco como a solidão, depressão, bullying e crises sociais, o trabalho de prevenção do suicídio precisa aumentar a oferta de horas voluntárias nas diversas frentes de atendimento. Para atender essa demanda crescente o CVV tem se aproximado das entidades científicas que reconhecem a eficiência da sua atuação para trocar experiências e organizar novas estratégias de atendimento e difusão de informações. A entidade vem promovendo e participando de simpósios sobre prevenção e também sendo solicitada a  dar  suporte em situações e ambientes de risco suicida, como em casos de eventos coletivos, escolas, corporações militares e hospitais. O CVV possui atualmente um grupo de  consultores voluntários em diversas áreas de conhecimento e que indicam as melhores diretrizes dos planos de prevenção. Recentemente o CVV firmou um convênio com o Ministério da Saúde e Anatel para o uso exclusivo do número 188, para atender o Rio Grande do Sul, estado com as mais altas e declaradas taxas de suicídios. O 188 Gratuito está sendo ofertado especificamente na região de Santa Maria, em função das repercussões psicológicas da tragédia da Boite Kiss.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Lançamento de livro de André Trigueiro em São Paulo teve talk show

Mais de 300 exemplares vendidos no lançamento do novo livro de André Trigueiro na Livraria Cultura em São Paulo (18 de maio). A noite de autógrafos foi antecedida por um talk show gravado especialmente para a Rádio CBN, ancorado por Tânia Moraes, e teve como ponto alto a manifestação de uma pessoa que foi ao evento para manifestar o desejo de matar. O jornalista se dirigiu ao convidado dizendo que o "Sérgio" que compareceu no evento foi a metade dele que tinha vontade de viver e que a metade que pensava em suicídio havia ficado em casa. O livro tem sete capítulos trás uma curiosa pesquisa sobre a história e a atualidade da prevenção do suicídio no Brasil e no mundo. O talk show será exibido no próximo sábado (23 de maio) na CBN.


domingo, 15 de março de 2015

Suicídios contaminaram Alemanha nos dias finais da Segunda Guerra

     Rua Adolf Hitler e a aldeia do suicídio.

Livro revela que exemplos de Hitler e Goebbels não foi fenômeno restrito à cúpula nazista

Graça Magalhães-Ruether -14/03/2015 6:00

BERLIM - O lugar onde o pior ditador do século XX encontrou o seu fim fica no subsolo de um estacionamento de carros, junto a um prédio de apartamentos simples, de arquitetura despojada típica da era comunista, no centro de Berlim. A aparência banal do terreno que fica sobre o bunker do Führer é intencional, projetada pelo regime comunista da extinta República Democrática Alemã, onde ficava essa parte da rua Wilhelm no período de 1949 até 1989. No bunker onde a cúpula do regime nazista procurou proteção quando a derrota já parecia inevitável, ocorreram cenas dramáticas nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, que terminaram com a morte de todos. Mas o clima de tragédia dos derrotados não ficou limitado à cúpula: contaminou a Alemanha. Num livro sobre como os alemães reagiram à derrota nas semanas e meses de transição, pouco antes da chegada dos vencedores, o historiador Florian Huber revela que o suicídio de Hitler e Goebbels não foi um caso isolado, mas parte de uma histeria nacional que tomou conta da Alemanha.

— O mito do soldado nazista que lutou por sua ideologia racista até a última gota de sangue precisa ser revisto — contou Huber em entrevista ao GLOBO, pouco depois de ler trechos da obra “Kind, versprich mir, dass du dich nicht erschiesst” (“Criança, prometa-me que não vais te suicidar”, em tradução livre), escrita em forma de reportagem, no salão literário da Casa Bertolt Brecht, em Berlim.

SEM VIDA DEPOIS DO FÜHRER

Pouco depois do suicídio de Hitler e Eva Braun, Joseph e Magda Goebbels mataram primeiro as filhas Helga, de 12 anos, Hilde, 11 anos, Holde, 8 anos, Hedda, 6 anos, e Heide, de 4 anos, bem como o único filho, Helmut, de 9 anos (todos os nomes começavam com H em homenagem a Hitler), antes de dar fim às suas próprias vidas. “A vida no mundo que vai chegar depois do Führer e do nacional-socialismo não vale a pena”, escreveu Magda na carta de despedida ao seu filho mais velho, Harald Quandt, o único que sobreviveu. Harald (1921-1967), que por parte de pai pertencia à familia dos magnatas da empresa BMW, era filho do primeiro casamento de Magda com o industrial Günther Quandt, de quem ela se divorciou para casar, mais tarde, com o nazista Joseph Goebbels.

Segundo Huber, o suicídio coletivo no centro do poder nazista começou já em janeiro de 1945, quando nem o próprio ditador conseguia acreditar que seria possível uma vitória. No livro, o historiador diz que a “histeria nacional de suicídio” é o capítulo mais obscuro da história do Terceiro Reich. Foram dezenas de milhares de suicídios em toda a Alemanha. Só em Berlim, mais de seis mil pessoas suicidaram-se nos últimos dias da guerra. O clima de medo era não somente em relação aos soviéticos: também as grandes cidades ocidentais, como Munique ou Colônia, que foram libertadas pelos aliados, caíram na febre da maior onda de suicídio do mundo moderno.

Os números, no entanto, são apenas aproximados, porque nunca houve um levantamento exato dos casos, que até agora não tinham despertado atenção. Eram homens e mulheres que entraram em pânico por medo do futuro em um país ocupado, depois de uma ditadura durante a qual haviam esquecido qualquer resquício de humanidade.

— De um lado havia o confronto com um mundo que estava desmoronando. Depois de mais de 12 anos de regime nazista, as pessoas se deparavam com o nada, como se o mundo tivesse acabado. Mas havia também a convicção da culpa que haviam acumulado nesses anos e o medo terrível de que os inimigos vitoriosos na guerra praticassem contra elas as mesmas atrocidades que os nazistas haviam cometido contra os judeus — explica Huber.

No cemitério de Demmin, cidade que tem hoje 12,2 mil habitantes, um monumento lembra a tragédia que tomou conta do lugar no início de 1945. Quando os soviéticos atingiram Demmin, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, 230 km ao norte de Berlim, um pânico coletivo tomou conta da população. Em apenas três dias, quase mil pessoas se mataram.

— Mães e pais matavam os filhos por afogamento, estrangulamento ou com um tiro na cabeça, para depois fazer o mesmo consigo. A tragédia marcou para sempre a vida de muitas pessoas que conseguiam matar os filhos mas depois não tinham coragem de se matar — revela Huber.
Apenas um homem de Demmin, entre as centenas que sobreviveram depois de matar a família (e não ter tido coragem de tirar a própria vida), foi julgado pelo crime: o assassinato da esposa e dos dois filhos a tiros. O julgamento terminou com absolvição, porque os juízes consideraram o pai vítima de uma situação extrema, sem culpabilidade e isento de pena, do ponto de vista jurídico.

As vítimas da tragédia de Demmin estão sepultadas em uma cova coletiva. Os mortos eram enterrados apenas com a roupa que usavam no momento final ou em caixões de papelão — com tantos cadáveres em tão pouco tempo, não havia mais caixões de madeira disponíveis. As lápides, improvisadas, às vezes nem revelam os nomes, apenas descrições sobre a morte, como “menina enforcada pelo avô”, “menino afogado pela mãe” ou “crianças levadas pela mãe no suicídio”.
Manfred Schuster tinha 10 anos quando foi testemunha da tragédia de Demmin. Ele viu uma mãe pular no rio Peene, tendo os filhos pequenos fixados junto ao próprio corpo com a ajuda de uma corda de varal, usada para pendurar roupas.

— Duas das crianças conseguiram se desamarrar e nadar até a margem, de onde observaram a última luta dos irmãos para não afundar nas águas junto com a mãe — lembra Schuster, hoje com 80 anos, filho de um soldado da Wehrmacht.

SUICÍDIOS ERAM ROTINA NO PÓS-GUERRA

Karl Schlosser, também de 80 anos, é o último sobrevivente das famílias suicidas. Ele lembra como conseguiu escapar da tentativa da mãe de matá-lo com uma navalha de barbear.

— Minha mãe preferiu matar os dois filhos e seu pai, meu avô, para depois se suicidar, em vez de viver em uma cidade dominada pelas tropas do ditador soviético Josef Stalin — recorda Schlosser, que acompanhou a “epidemia de suicídio” em sua cidade natal como a principal rotina do final da guerra.

Todos os dias, ele via corpos sendo levados pela correnteza do rio, adultos e crianças enforcados que ainda estavam pendurados nas árvores ou pessoas mortas com a fisionomia desfigurada por causa do veneno que haviam tomado ou recebido dos parentes próximos. O veneno mais consumido era o cianureto de potássio, e, segundo Schlosser, as pessoas falavam sobre o cianureto na taça de vinho tinto como se fosse um pouco de leite no café.

— Toda a elite do regime nazista tinha doses de cianureto que planejava usar para o caso de cair nas mãos do inimigo. Com esse veneno, alguns condenados no Tribunal de Nuremberg evitaram uma execução, morrendo antes — explica o historiador e autor do livro. — Esse veneno era muito popular porque qualquer farmacêutico conseguia produzi-lo artesanalmente e porque ele oferecia a possibilidade de uma morte rápida.

Huber esteve na região do Palatinado, no Sudoeste da Alemanha, e teve a ideia de escrever o livro ao recordar as narrativas do seu pai, que tinha 11 anos quando a guerra acabou na região. Os soldados alemães tinham ido embora, os americanos eram esperados, mas não haviam ainda chegado, e as pessoas começaram a acabar com suas vidas como se tivessem perdido o equilíbrio mental.

— Meu pai contava que havia um clima de profunda incerteza, talvez porque as pessoas, no fundo, já soubessem que quase tudo que era lei no regime nazista passaria a ser visto como crime contra a Humanidade — conta Huber.



Goebbels e o herdeiro da BMW com suas famílias

domingo, 1 de março de 2015

53 anos ouvindo pessoas

Fundado inicialmente com o nome Campanha de Valorização da Vida, o primeiro trabalho de prevenção do suicídio no Brasil comemora 53 anos de serviços de apoio emocional aos tristes, solitários e angustiados. Em 1962 eram pouco mais de dez voluntários. O primeiro plantão de oferta de amizade foi realizado numa sala da Federação Espírita do Estado de São Paulo, com telefone também cedido pela FEESP.  Hoje o CVV possui cerca de 2 mil voluntários, postos físicos nas mais importantes cidades brasileiras, tem atendimento pelo voip e chat; possui uma comunidade terapêutica para saúde mental; trabalha em convênio com o Ministério da Saúde e busca expandir suas atividades por de pessoas, sem vínculos religiosos ou políticos, dispostas a atuar como Emissários da Vida.