CVV JOVENS

Jovens do CAMP Rio Branco em São Vicente SP celebrando na Ponte Pênsil o Setembro Amarelo e o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.

domingo, 18 de novembro de 2018

OS 40 anos da tragédia de Georgetown





A notícia chegou ao Brasil há 40 anos, numa terça-feira, 21 de novembro de 1978. Três dias antes, 918 pessoas, incluindo 304 crianças e adolescentes, haviam morrido em Jonestown, assentamento agrícola erguido no coração da selva guianense por integrantes da seita americana Templo do Povo.

Entre pequenas casas de madeira, os fiéis jaziam de bruços sobre a grama, abatidos pela ingestão de refresco envenenado. O líder e fundador do grupo, Jim Jones, foi encontrado junto aos discípulos, com um ferimento de bala na cabeça. O clima tropical acelerou a decomposição dos corpos, obrigando os soldados da força-tarefa do governo local a vestirem máscaras para enfrentar o mau cheiro que impregnava o ambiente. Apenas 87 moradores da comunidade sobreviveram à tragédia, híbrido de suicídio coletivo com assassinato em massa.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-45909761?ocid=socialflow_twitter&fbclid=IwAR1oKzfA6Wi0HpzIdZQNXX68ISLiykC5DWX8BcbRNb4uEyN0z589VQADK6o

O livro CVV Como Vai Você contém nos anexos uma análise do Rev. Chad Varah (fundador dos Samaritans) sobre o comportamento de Jim Jones e a tragédia de Georgetown.




domingo, 4 de novembro de 2018

Chad Varah, o fundador dos Samaritanos


Chad Varah nos anos 1990, em Londres. 


NASCIMENTO: 12 de novembro de 1911. Boston, Boston, cidade, Lincolnshire, Inglaterra. MORTE: 8 novembro de 2007 (95 anos). Alton, East Hampshire District, Hampshire, Inglaterra. Corpo doado à ciência médica, especificamente: London School of Anatomy.

O mais velho de nove filhos, Edward Chad Varah nasceu na pequena cidade de Barton upon Humber, Lincolnshire, Inglaterra. Seu pai, o cônego William Edward Varah, era reitor da igreja anglicana local de São Pedro. Aos 13 anos ele foi mandado para a Worksop College, uma escola com fortes tradições da Alta Igreja. Tendo uma memória misteriosa (até o fim, ele poderia recitar cada poema que já aprendeu), ele brilhou academicamente e ganhou uma exposição em ciências naturais para o Keble College, em Oxford. Após dois mandatos, ele mudou para Política, Filosofia e Economia. Mais tarde, estudou no Lincoln Theological College (hoje chamado Chad Varah House) e foi ordenado sacerdote na Catedral de Lincoln.

SEXO E SUICÍDIO COMO TABUS

Na atmosfera culturalmente repressiva do Reino Unido na década de 1930, ele reconheceu até que ponto a confusão e a ignorância sobre muitas questões sociais, várias ainda envoltas em tabu, contribuíram para o desespero que muitas vezes levou ao suicídio, que era ilegal. Como assistente terapêutico em 1935, gerou seu compromisso vitalício com a educação sexual e depois com a prevenção do suicídio. No St. Gile's, Lincoln, ele oficiou no funeral de uma menina de treze anos de idade, que estava tão confusa e isolada que acreditava que o início da menstruação era o sinal de uma doença mortal que levaria a uma morte lenta e dolorosa ; a garota aterrorizada se matou. Profundamente comovido e chateado por esse suicídio, ele dedicou-se ao ensino de educação sexual básica no clube de jovens da igreja e aos casais que estavam se preparando para o casamento. Ele também apoiou outras pessoas suicidas no hospital local e dentro de sua paróquia, ciente das escassas instalações para os suicida e sua relutância frequente em consultar um psiquiatra. Ele acreditava que as pessoas suicidas precisavam de um meio de entrar em contato com alguém com quem poderiam conversar a qualquer hora do dia ou da noite.




Chad com os primeiros voluntários nos anos 1940.


Chad Varah com o prefeito de São Paulo, Olavo Setúbal, e a diretoria do CVV em 1977 anunciando o programa CVV-Samaritanos. 


AJUDA PRIVATIVA DOS BEFRIENDERS

Ele conheceu Doris Susan Whanslaw (Susan) antes da Segunda Guerra Mundial quando se tornou curador de St Mary the Virgin, Putney. Eles se casaram lá em 1940 e se mudaram para Barrow-in-Furness logo depois. Ele serviu em paróquias em Blackburn e em Battersea, Londres. Sua esposa se tornou presidente mundial da União das Mães na década de 1970. A oportunidade de cumprir sua promessa de ajudar as pessoas em desespero e necessidade emocional veio em 1953, quando foi nomeado reitor de Santo Estêvão, Walbrook, ao lado da Mansion House, a casa do prefeito na cidade de Londres. Seus honorários foram-lhe oferecidos pela Companhia dos Mercadores. O esplêndido edifício de Wren estava sendo restaurado e havia apenas uma pequena congregação da cidade. Isso serviu de forma admirável para o novo titular. Dentro de três meses, 50 voluntários estavam recebendo telefonemas do número de telefone da igreja - MAN 9000. Ele disse que iria treiná-los para “serem amigos” (chamados samaritanos pelo Daily Mirror) - a organização havia começado. No início dos anos 50, em apenas um dia, três suicídios foram oficialmente registrados na Grande Londres; o suicídio ainda era um ato ilegal e a educação sexual dificilmente existia. Ele anunciava na imprensa que as pessoas ajudassem - não como conselheiros treinados, mas como seres humanos comuns oferecendo um ouvido atento e apoio emocional. Procurado por muitas pessoas dispostas a ajudar, ele também abriu o primeiro centro "drop-in" onde pessoas emocionalmente isoladas e angustiadas poderiam ir para encontrar um ouvido solidário.

PESSOAS COMUNS, PORÉM EXTRAORDINÁRIAS, QUE ESCUTAM SEM INTERROMPER

Ele continuou a administrar os samaritanos até 1987, foi presidente do Befrienders Worldwide e permaneceu um apoiador ativo até o fim de sua vida. Michael Varah, um de seus filhos trigêmeos, que serviu como comissário eleito dos Samaritanos de julho de 2005 até sua morte em abril de 2007, lembrou: 'meu pai descreveu essa amizade com o suicida:

' Há neste mundo, em todo mundo país, pessoas que parecem ser "comuns", mas que, quando se encontram com uma pessoa suicida, se revelam extraordinárias. Eles geralmente podem salvar vidas. Como? Eles dão a pessoa triste sua atenção total. Eles se esquecem completamente de si mesmos. Eles escutam ... e escutam ... e escutam, sem interromper. Eles irradiam aprovação ou agitam suas cabeças simpaticamente. Depois de muito tempo, eles dizem "por favor, me conte mais". Se pedir conselhos, eles dizem: "você é a única pessoa que pode aconselhá-lo bem - o que você acha que deveria fazer?" Eles não têm mensagem. Eles não pregam. Eles não têm nada para vender. Nós os chamamos de 'samaritanos'.

”Ele também estava intimamente associado à criação da história em quadrinhos do menino, The Eagle, pelo colega clérigo Marcus Morris em 1950. Ele era o cérebro por trás do cartunista Dan Dare. Ele complementou sua renda trabalhando como roteirista para The Eagle e suas publicações irmãs Girl, Robin e Swift até 1961.

Na Lista de Honras do Ano Novo do Milênio, Sua Majestade a Rainha concedeu ao Reverendo Dr. Chad Varah a Ordem do Companheiro de Honra pelos Serviços aos Samaritanos. Ele considerou esse título a maior das muitas honrarias concedidas a ele em sua vida. O Chad Varah Memorial Appeal foi inaugurado após sua morte para garantir que duas das organizações que ele fundou, Samaritans e Befrienders Worldwide, permanesessem como um testamento inspirador de sua vida e obra até o século XXI.

Durante toda a sua vida, ele disse o que os outros tinham medo de dizer, e isso lhe rendeu muita calúnia. Corajoso, sincero, devoto e abrasivo, ele foi um dos sacerdotes mais conhecidos da Inglaterra e de outros países. Ele sobreviveu em uma igreja que ele amava e servia fielmente. Ninguém pode negar que ele teve um efeito profundo para o bem na vida de milhões de pessoas.

(Esta biografia foi escrita em conjunto com a família e tem toda a sua aprovação. Eles preferem que ela não seja alterada para fins de elevação para status 'famoso')

Ps. Chad Varah veio ao Brasil algumas vezes, a primeira em 1976, quando firmou o programa CVV-Samaritanos, para expansão na América do Sul; e em outras ocasiões para participar do Congresso Nacional do CVV-Centro de Valorização da Vida.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O suicídio dos que não viraram adultos nesse mundo corroído


Por que, neste século, mais adolescentes têm respondido ao desespero deletando a própria vida?

ELIANE BRUN -19/06?2018 - EL PAÍS

Desde que dois alunos do Colégio Bandeirantes, tradicional escola de elite de São Paulo, se mataram no espaço de 15 dias no mês de abril, o suicídio de adolescentes entrou no debate público no Brasil. Psicanalistas e profissionais de saúde mental têm sido chamados à rede privada de ensino para falar sobre o tema. Pais e professores estão em busca de pistas para compreender por que mais jovens tiram a própria vida e como é possível prevenir a tragédia. Casos de adolescentes que se matam já fazem parte da crônica das cidades de todos os tamanhos no país, do Rio Grande do Sul aos estados da Amazônia. No Brasil, entre 2000 a 2015, os suicídios aumentaram 65% dos 10 aos 14 anos e 45% dos 15 aos 19 anos, segundo levantamento do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador do Mapa da Violência no Brasil. Nos últimos dois anos, os números podem indicar uma pequena estabilização, mas só daqui mais um ano será possível afirmar se é uma tendência ou apenas uma oscilação. No mundo, o suicídio já é a segunda causa de morte entre adolescentes, segundo a Organização Mundial da Saúde. Por que mais jovens se suicidam hoje do que ontem?


Essa é a pergunta óbvia de onde costuma partir o debate. Mas a pergunta ainda mais óbvia talvez seja: por que não haveria mais adolescentes interrompendo a própria vida nos dias atuais do que no passado? Na leitura do momento, me parece que o espanto se justificaria se, num mundo distópico, houvesse menos jovens com dificuldade de encontrar sentidos diante do desespero.


Quando adolescentes se matam, eles dizem algo sobre si mesmos, mas também dizem algo sobre a época em que não viverão.

A inversão da pergunta não é um jogo retórico. Ela é decisiva. É decisiva também porque devolve a política à pergunta, de onde ela nunca poderia ter saído. E a recoloca no campo do coletivo.

Essa dimensão não apaga a singularidade de cada caso, mas é necessário situar essa singularidade no contexto do seu tempo histórico. Quando adolescentes se matam, eles dizem algo sobre si mesmos, mas também dizem algo sobre a época em que não viverão. É esse o ângulo que me parece importante chamar a atenção, porque em geral ele é apagado. É nas particularidades de cada história que podemos encontrar caminhos para prevenir o ato de desespero, mas é também na conformação do mundo em que a violência autoinfligida ocorre que devemos buscar pistas para compreender o que o suicídio expressa sobre essa época.

Os adolescentes de hoje herdarão um mundo corroído pela mudança climática provocada pelas gerações anteriores, incluindo a de seus pais, onde a água vem se tornando o grande desafio e a paisagem já começa a ser desfigurada. As séries de TV, principal produto cultural e também de entretenimento, expressam o sentimento dessa época: um presente que já é uma distopia e a impossibilidade de imaginar um futuro que não seja apocalíptico. A internet, onde os adolescentes e a maioria dos adultos vive, arrancou a ilusão sobre o que chamamos de humanidade. Ao permitir que cada um se mostrasse sem máscaras, que cada um pudesse “dizer tudo”, abriu-se uma ferida narcísica cujos impactos levaremos muito tempo para dimensionar. Essa ilusão sobre o quê e quem somos nós cumpria um papel importante no pacto civilizatório. Sua perda é parte da explicação da dificuldade de compartilhar o espaço público, hoje interditado por ódios.

Por que, diante desse cenário, mais adolescentes não teriam dificuldade para encontrar saídas? Por que alguém que está vivendo uma fase da vida em que precisa dar conta de um corpo em transformação e assumir a responsabilidade de encontrar seu lugar não estaria desorientado diante do mundo que o espera – ou mesmo sem nenhuma confiança de que vale a pena ser adulto nesse planeta?


O desafio que o suicídio impõe à sociedade é conseguir construir uma resposta que não seja a brutalidade de tirar a própria vida

Se cada caso é um caso, o significado de ser adolescente nessa época determinada não pode ser deletado de qualquer resposta que pretenda ser uma resposta. Aberta, em constante construção, mas uma resposta.

Um adolescente que faz perguntas duras a si mesmo e aos adultos não está apresentando um comportamento desviante. São perguntas inteligentes, são perguntas de quem percebe o mundo que vive, são perguntas de quem se recusa a se alienar. O desafio que o suicídio nos apresenta, como sociedade, é conseguir construir junto com os jovens uma resposta que não seja a brutalidade de tirar a própria vida.

Essa tarefa não é individual, não é um problema apenas do adolescente que não consegue encontrar sentido ou de sua família. Mas uma construção coletiva. Inclui esse adolescente, mas não é só dele. Se há uma possibilidade nesse momento é a de que o desespero de ver adolescentes morrendo fez com que se rompesse o silêncio sobre o suicídio.

A crença de que falar sobre o suicídio aumenta o número de casos estabeleceu um silêncio em torno das mortes que colaborou para que se localizasse o problema e a suposta solução no indivíduo. Colaborou para a ideia sem substância do suicídio como covardia do adolescente e fracasso dos pais. O suicídio, convenientemente, deixou de ser uma questão da sociedade para ser um problema de uma pessoa ou família com um tipo de defeito. Ou foi colocado na conta de uma patologia mental, com vários nomes disponíveis no mercado. É um fato que há casos de suicídio relacionados a doenças mentais, mas não é possível desconectar qualquer doença da época em que ela é produzida.

A questão não é a doença mental, quando ela existe, ou a angústia e o desespero, mas por que o suicídio tem sido a resposta e não outra a acontecimentos como a doença mental, a angústia e o desespero. É no fato de que ao longo das diversas épocas já houve outras respostas possíveis, outras respostas compatíveis com seguir vivendo, que podemos construir reflexões que nos arranquem da repetição que acaba tratando como problema exclusivamente individual o que é também produção social.


Não dá para viver num mundo literalmente corroído e acreditar que o desvio é de quem sofre com ele

Voltar a falar de suicídio é importante, mas é igualmente importante “como” falar sobre suicídio. Se a questão for apenas estabelecer manuais, como se houvesse uma lista de alarmes para identificar aquele que se descola da manada, ou se a saída encontrada for reforçar a causa e a solução no indivíduo, é só mais um reforço para a tragédia da nossa crescente dificuldade de fazer comunidade. Em resumo: não dá para viver num mundo literalmente corroído e subjetivamente corroído e dizer que o desvio é de quem sofre com ele e não encontra outra saída que não seja o suicídio. Ou da família que não pôde ou não soube como impedir que o adolescente tirasse a própria vida.

Se podemos fazer algo com a tragédia que é termos criado um mundo onde um número maior de adolescentes não se tornará adulto, é reaprendermos a viver em comunidade, redescobrirmos como tecer redes de cuidado mútuo. Isso não tira a responsabilidade individual. Ao contrário, a aumenta. Mas coloca a responsabilidade individual onde ela deve estar: fazendo “laço” com os outros. Fazendo junto.
A primeira geração formada nas redes sociais a partir de “likes” e “blocks”

Não se pode esquecer ainda e principalmente que a marca de se tornar adolescente neste século é a marca de tecer sua experiência na internet. A geração atual é a primeira formada a partir de “likes” e “blocks”, carinhas sorridentes e carinhas furiosas. Ao mesmo tempo que experimenta a possibilidade de deletar o quê ou quem perturba, enfrenta a impossibilidade de deletar seus vestígios para sempre.

Estrear na vida e já ser condenado à memória eterna. Ser formado na impaciência dos segundos e na sobreposição dos tempos. Acreditar que um vídeo de mais de dois minutos ou um texto de mais de dois parágrafos são longos demais. Arriscar-se nas redes sem os limites do corpo, podendo ser algo num minuto e outra coisa inteiramente diferente no minuto seguinte. Mas, ao mesmo tempo, sentir os efeitos profundos dos estímulos digitais no corpo. Os dias acelerados que se emendam e a fábrica de ansiedade. A impossibilidade da desconexão. A vida editada e “feliz” de todos, enquanto dentro de você a tristeza é vivida como fracasso num mundo de tantos bem sucedidos de Facebook, sem saber quem ou o quê é real ou “fake”.

Num vídeo postado dias atrás pelo Channel 4 News, Jaron Lanier, filósofo da internet e criador da realidade virtual, sugere que os adolescentes deveriam abandonar as redes sociais por pelo menos algum tempo. “Somos fisgados por um esquema de recompensas e punições, em que as recompensas acontecem quando você é retuitado por outros e as punições quando você é maltratado por outros nas redes”, diz. Essa manipulação, segundo Lanier, não é tão dramática quanto o vício em heroína ou o vício em jogo, mas obedece ao mesmo princípio. “Deixa as pessoas ansiosas e irritadas, e torna especialmente os adolescentes depressivos, o que pode ser muito grave”, afirma. “Há uma grande quantidade de evidências e estudos científicos. O exemplo mais assustador é a correlação entre o aumento do suicídio entre adolescentes e o aumento do uso das redes sociais.”


“Dê a você mesmo seis meses sem redes sociais”

Jaron Lanier dá um conselho aos adolescentes: “Se você é uma pessoa jovem e você só vive nas redes sociais, o primeiro dever com você mesmo é conhecer você mesmo. Você deve experimentar viajar, você deve se desafiar. Você não vai se conhecer sem essa perspectiva. Então, dê a você mesmo pelo menos seis meses sem redes sociais. Eu não posso dizer a você o que é o certo. Você tem que decidir”.

Netflix, cinema e a vida depois da perda



No ano passado, o psicanalista Mário Corso foi convidado para dar uma palestra aos alunos de uma escola pública do interior do Rio Grande do Sul. A diferença é que ele não foi convidado pela direção da escola ou pelos professores ou mesmo pelos pais. A iniciativa foi dos alunos. Eles tinham identificado uma colega com ideias de suicídio e decidiram formar uma rede de cuidado. “Os colegas estão mais próximos e sabem melhor do que ninguém quando algo realmente sério está acontecendo”, diz Corso. “Essa experiência de ajudar a combater o mal-estar na escola, de entender as dificuldades da socialização, seria uma formação extra e muito proveitosa que a escola pode dar aos adolescentes. Existem muitos adolescentes cuidadores. É preciso fazer uma aliança com eles.”

Todo profissional que trabalha com saúde mental é marcado pela perda de pacientes. É algo que se carrega pela vida, mas que em geral é elaborado e vivido no espaço privado. A diferença é que Corso ficou assinalado também na esfera pública. Em 2006, um de seus pacientes, Vinicius Gageiro Marques, de 16 anos, transmitiu a própria morte pela internet e teve ajuda de pessoas de diferentes países para consumá-la. A incitação ao suicídio é um crime previsto no Código Penal do Brasil.

A morte de Yonlu marcou o momento em que as pessoas perceberam que, com a internet, os jovens frequentavam mundos que pais e professores não alcançavam

Mais de um ano depois do suicídio de seu jovem paciente, Corso me deu uma entrevista que se tornou uma referência, pela profundidade e honestidade com que falou do que viveu. A morte do adolescente teve repercussão internacional e marcou um momento em que as pessoas perceberam que, com a internet, os jovens frequentavam mundos que pais e professores não alcançavam. No segundo semestre, será lançado o filme Yonlu, nome com que Vinicius se apresentava nas redes e assinava a sua produção artística, dirigido por Hique Montanari.

Mário Corso é autor de vários livros, inclusive um infantil. Três deles, escritos junto com a também psicanalista Diana Corso, relacionam produção cultural e psicanálise, dos contos de fadas às atuais séries de TV. O mais recente é Adolescência em Cartaz – filmes e psicanálise para entendê-la (Artmed, 2017). Fiz cinco perguntas a ele:

P: Você acha que o sofrimento que provoca o suicídio hoje, na era da internet, é diferente do sofrimento que provocava o suicídio nos adolescentes de gerações anteriores?

R: Creio que o sofrimento dos adolescentes é o mesmo. Uma solidão imensa, uma sensação de inadequação, uma desesperança próxima ao desespero. A ideia que não há lugar no mundo para si, um mundo complexo demais para ser decodificado, aliado ao momento de fragilidade dos laços entre os pares, é um cruzamento perigoso e doloroso. O que mudou foram as possibilidades de comunicação. Para o bem e para o mal. Por exemplo, o bullying antes era restrito a um lugar, ficava na escola. Hoje ele não para, não dá trégua e não dá àquele que sofre o direito de recomeçar. A internet não esquece.

Estar marcado em um colégio, por uma experiência negativa, antes podia ser solucionado trocando de escola. Hoje, você leva contigo aquilo que gostaria de esquecer. Uma pesquisa rápida e tua ficha é entregue. Por um lado, a rede pode até ajudar os mais fóbicos, pois ela permite ensaiar-se em um ambiente onde o corpo não está em jogo, e propicia a pessoas de hábitos diferentes encontrarem sua praia. Por outro, ela também tem seu lado obscuro: permite que portadores de sofrimentos e patologias, que antes eram isoladas, como a anorexia, se apoiem em parceiros, igualmente tomados na loucura, que incentivam seguir dentro da doença e dão a ela um sentido de pertença, de identidade, muitas vezes letal. O mesmo com o suicídio. Antes isolado, o adolescente tinha menos recursos, até, digamos, técnicos, para saber como se matar. Raramente ele iria encontrar pessoas tão ou mais perturbadas para trocar ideias sobre as "vantagens" do suicídio. Na rede, seguem existindo fóruns de proselitismo do suicídio.

P: O que a morte de Yonlu mudou na sua clínica ou no seu modo de entender o suicídio?

R: Não houve mudanças significativas na clínica ou no entendimento das razões do suicídio. A principal mudança foi em mim. Desci mais um degrau da minha personalidade já melancólica. Já tinha perdido pacientes, mas casos graves, adultos vindos de anos de depressões crônicas, dos quais, entre idas e vindas, eu fui apenas mais uma tentativa fracassada. São perdas distintas. Sendo nesse caso alguém tão jovem, talentoso, inteligente, é difícil se apaziguar. Os psicoterapeutas elaboram pouco sobre os efeitos de serem depositários e testemunhas de tanto sofrimento. Mas são cicatrizes incuráveis. Talvez um dia eu consiga entender melhor tudo isso. Ainda lateja.


“Vivemos não por razões, mas por pertencer a uma rede afetiva, por ter uma sociedade que nos dá um lugar”

P: Desde aquela época, mais de uma década atrás, a sua postura era de que era necessário falar sobre o suicídio. Mas só agora, e em grande parte por conta de séries como 13 Reasons Why (“Os 13 porquês”,Netflix), o silenciamento sobre o suicídio entre adolescentes começa a ser rompido. Por que é importante falar e o que você gostaria de dizer?

R: Falar sobre o problema já é um começo. É um assunto tabu, ninguém se sente à vontade para dar a partida. Ninguém sabe bem o que dizer. O que está em jogo é o sentido da vida. E quem sabe dizer por que a vida vale a pena? Não sabemos dizer até porque é uma questão mal colocada. Não existe resposta racional. A resposta é emocional. Vivemos não por razões, mas por pertencer a uma rede afetiva, por ter uma sociedade que nos dá um lugar. Estamos aqui porque alguém um dia quis assim e ficou inscrito em nós essa marca. A vontade de viver é algo que os pais transmitem, ou não, sem dar-se conta. Mas é um território imponderável, nebuloso.

Acredito que estamos no momento de construir algo novo. Creio que a arte já começou. O seriado da Netflix foi um bom começo. Antes de ele ser feito, eu não acreditaria que daria certo. Tomado pelo paradigma de Werther, de que narrar o suicídio emularia outros, eu não faria. (No século 18, após a publicação do livro Os sofrimentos do Jovem Werther, do escritor alemão Goethe, teria havido uma onda de suicídios de jovens na Europa que foi considerada efeito do romance.) A Netflix fez, e a resposta foi oposta: mais gente falando no assunto e pedindo ajuda.


“Se um estúdio de TV inventou uma narrativa que faz falar sem estimular o ato, por que a comunidade de quem trabalha com saúde mental não conseguiria?”


P: O que você, que analisa a produção cultural pelo viés da psicanálise, acha da série?

R: Ela tem uma grande sacada: eles criaram um herói romântico aparentemente típico. Hannah, a personagem, é uma alma sofrida e sensível, que passou por traumas e é incompreendida. O mundo não seria bom o suficiente para ela. Mas, no decorrer da série, ela se comporta de forma tão pouco empática ao sofrimento dos outros, ela é tão autocentrada e egoísta, que ninguém quer ser como ela. Ela exige cuidado e uma delicadeza que ela mesmo não tem com ninguém. Ela é cega à dor alheia. Ou seja, eles viraram o fio. Ninguém vai querer ser a Hannah mesmo que admitamos que ela tem suas razões e seu sofrimento. Ela ajuda a narra a dor e a vontade de ir embora, mas não desperta identificações diretas. Se um estúdio de TV inventou uma narrativa que faz falar sem estimular o ato, por que a comunidade de quem trabalha com saúde mental não conseguiria? Nós temos é que nos botar a pensar. É um tempo de inventar. Creio que é um desafio que temos que nos colocar. É preciso dar uma visibilidade ao problema real que o suicídio é. Não noticiar os casos, mas encontrar uma nova via de ele estar sempre em pauta.

P: Existiria algo na educação dada atualmente às crianças e aos adolescentes que os deixariam mais vulneráveis?

Corso: É algo que se pensa pouco. Nós temos uma conquista civilizatória interessante, que é a infância protegida, reconhecida em suas particularidades. Não devemos mudar isso, mas talvez pensá-la melhor. Nossas crianças crescem numa bolha de proteção que rompe na adolescência. Abruptamente, descobrem a dureza do mundo, a violência, a exigência desmedida – nesse caso, às vezes dos pais. Sentem-se traídos pelo mundo de conto de fadas que receberam. Será que não exageramos, que não haveria um modo de desde mais cedo mostrar o mundo como o mundo realmente é? Existe uma depressão típica do começo da adolescência que diz respeito ao dar-se conta do peso do mal-estar da civilização. Utopias já não colam, vivemos na época das distopias, crenças religiosas tampouco, o jovem sente que está em um mundo absurdo. E precisamos pensar que ele não desenvolveu os anticorpos que nós já temos... Isso chega de modo à vista. Será não poderia ser em suaves prestações? Brinco, mas creio que exageramos na dose do mundo Disney. Em resumo: não os preparamos para o infortúnio, não discursamos sobre as derrotas, as perdas, e elas são a única certeza nessa vida. Ensinamos a ganhar, a dizer que serão vencedores. Ensinamos o fácil e esquecemos o essencial: saber suportar as rudezas de um momento civilizatório complicado.
O presente só é possível se o futuro for possível

No início dessa coluna, eu propus mudar a pergunta. Não “por que mais adolescentes estão se matando hoje” – e, sim, “por que não haveria ainda mais adolescentes morrendo hoje”. Minha interrogação parte da realidade de um planeta corroído e abandonado pelas utopias. A esse cenário se soma a profunda crise da democracia como sistema capaz de melhorar a vida das pessoas. “Terra arrasada” não é mais uma figura de linguagem, mas uma literalidade. Na dificuldade de enxergar um futuro próximo, quase nos assemelhamos aos marinheiros do passado, que acreditavam que o mundo acabava num barranco, de repente.

Sem perspectiva, sonho, imaginação, desejo, a percepção já é de vida interrompida. Tragado pelos dias de um presente acelerado, em que o corpo é atingido por estímulos 24 horas por 7 dias na semana, mas não tem nem espaço nem tempo para elaborar nenhuma experiência porque logo vem outra por cima, a sensação é de afogamento. Sem perspectiva de futuro, o presente é vórtex.


Como podemos construir junto com os adolescentes uma ideia de futuro que não seja uma distopia?

Sugiro então uma terceira interrogação para esse momento: o que podemos fazer junto com os adolescentes, porque não acredito em juventude sem responsabilização, para que volte a valer a pena viver nesse mundo? Ou como podemos construir juntos uma ideia de futuro que não seja uma distopia? A impossibilidade de imaginar um futuro possível tem impactos profundos sobre a vida de todos, muito mais do que a maioria consegue dimensionar no cotidiano. Recuperar a capacidade de imaginar um mundo onde se possa viver é o imperativo que atravessa essa época. Imaginar a partir da realidade brutal – e não negando-a, como a maioria tem feito.

Esse momento de rompimento do silêncio sobre o suicídio é rico de possibilidades. Mas apenas se formos capazes de recolocar a questão no campo da política. É nisso que as escolas deveriam apostar, assim como todos os espaços de compartilhamento. O desafio, tanto na rede pública quanto na privada, é o de fazer comunidade, inclusive e principalmente entre as redes. Não é porque se chama de “comunidade escolar” que é uma comunidade escolar. Comunidade é algo bem mais profundo e demanda esforço contínuo de fazer laços com o fora e com o dentro, reconhecendo as fronteiras para poder ultrapassá-las.

Será uma pena se esse despertar violento, despertar sobre corpos de alunos mortos, seja desperdiçado pela visão estreita de olhar para o acontecimento como se ele fosse desconectado de sua época, individualizado e isolado. Ou colocar questões de saúde mental como se elas pertencessem a um arquivo impermeável, que não se comunicasse com todos os outros. Os sintomas de nosso tempo expressam onde estão os nossos buracos. Os mais sensíveis sentem primeiro.

Criar uma resposta para o suicídio de adolescentes é também criar uma resposta para a nossa vida nesse planeta. É enfrentar o tema da mudança climática e de sua adaptação a ela, é enfrentar a responsabilidade da nossa espécie com todas as outras cuja casa destruímos, é enfrentar a crise da democracia e criar maneiras de fortalecê-la, para que ela volte a significar possibilidade de combater as desigualdades e fortalecer os direitos.


Ser parte da criação do futuro, mesmo na extrema desesperança do presente, é fazer laço com a vida ao fazer laço com os vivos

O mal-estar do nosso tempo, este que tanto afeta aqueles que estão estreando na vida, é alimentado pela nossa impossibilidade de enxergar uma vida possível logo ali na frente. Como os adultos também não enxergam, o desamparo é total. Se um colégio ou qualquer outra instituição quiser de fato enfrentar o suicídio entre adolescentes deve se dedicar também a construir com eles uma ideia de futuro que não seja o apocalipse climático – ou nuclear. Ser parte dessa criação de futuro, mesmo na extrema desesperança do presente, é fazer laço com a vida ao fazer laço com os vivos. O suicídio é também a impossibilidade de fazer parte.

Sem imaginar um futuro possível, não há presente possível. É isso que todos nós precisamos compreender. É isso que os jovens corpos tombados estão também dizendo em seu silenciamento violento. Só se combate a vontade de morrer criando um mundo em que vale a pena viver. Essa é a principal tarefa da escola e de todas as instituições.

Na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), de 2014, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro disse uma frase provocadora, no melhor sentido: “Os índios entendem de fim de mundo porque já viveram o fim do mundo em 1500”. Retomo essa afirmação para lembrar que os jovens indígenas Guarani-Kaiowá, as novas gerações de um dos povos originários mais massacrados do planeta, se suicidam desde os anos 80. Seu suicídio invisível para os brancos, invisíveis como eles mesmos, tem contado uma narrativa do fim do mundo. É para eles, para esta dor, que deveríamos estar olhando, para este mundo que lá se corrompeu antes pela força do extermínio.

Para os Guarani-Kaiowá, palavra é “palavra que age”. Responder ao suicídio dos adolescentes com vida é romper as barreiras do isolamento e se tornar palavra que age para fazer futuro.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Estação Amizade no Fronteiras da Ciência





Dia 3 de dezembro Estação Amizade foi tema do programa Fronteiras da Ciência, da UNISANTA, que entrevistou o educador Dalmo Duque os Santos sobre educação emocional e prevenção do suicídio.

sábado, 25 de novembro de 2017

Chegou o CVV Jovens e o Programa Estação Amizade


Sejam bem vindos ao CVV!!!
Fique com o CVV JOVENS. Organize sua Estação Amizade
Sua classe, seu grupo de igreja, de teatro, sua turma de rolezinho, seu time, sua equipe de trabalho, todos podem fazer dessa grande conspiração pela vida.
O CVV JOVENS-Estação Amizade é um programa de ajuda emocional e prevenção do suicídio criado por educadores ligados ao Centro de Valorização da Vida.
Grupos semelhantes de ajuda estão sendo fundados em vários países com a mesma intenção: reunir jovens de diversas culturas e segmentos para atuar como protagonistas na busca de soluções para seus próprios problemas.
Com experiência de mais de 50 anos, o CVV incentiva e orienta todos os grupos interessados em fazer parte desse coletivo humanitário, como membros parceiros, mantendo porém suas atividades e características originais.
Além dos postos de atendimento, o CVV realiza diversas atividades comunitárias de apoio emocional e a participação dos jovens é fundamental para que essas ações e eventos sejam ágeis e eficientes, sobretudo nas ações de emergência.
Queremos estar com vocês em todos os lugares onde existe a necessidade de aliviar a solidão, o medo e todas as dores emocionais. Não podemos resolver todos os problemas, mas podemos tornar o peso deles mais leve e mais suportável com a nossa atenção e amizade.
É o que fazemos e vamos fazer juntos. Ofertar atenção, carinho, abraços, compreensão, aceitação, enfim, tudo aquilo que normalmente as pessoas não tem tempo ou disposição para oferecer nos momentos tristes e difíceis. Para tanto, ofertamos todas as condições básicas para aplicação desse programa aos grupos parceiros.
Nosso sonho é espalhar as Estações Amizade em todas as cidades do Brasil e ter nelas os Emissários da Vida, pessoas sensíveis, responsáveis e comprometidas com a natureza humana e com a ideia de um mundo melhor, mais compreensivo e mais solidário.
Somos o CVV JOVENS!!!
Somos a ESTAÇÃO AMIZADE!!!


Palestra e bate-papo com jovens do CAMP São Vicente, em 2016, sobre prevenção do suicídio.



CVV e Estação Amizade na UNESP


O CVV e Programa Estação Amizade estiveram com seus representantes numa tarde de bate-papo com alunos dos Campus da UNESP em São Vicente. Assunto foi saúde emocional, prevenção do suicídio e ações comunitárias.

Setembro Amarelo nas OGNS e escolas



SETEMBRO AMARELO no CAMP Rio Branco, bairro periférico de São Vicente-SP. Tarde maravilhosa com jovens-aprendizes, preocupados com o futuro e com gênero humano. Amizade e Prevenção do Suicídio no coração e no currículo.




Bate-papo com alunos da EMEF Mateo Bei, em São Vicente - SP


Bate-papo com professores da E.E. Margarida Pinho Rodrigues.


Conversa com os membros do Grêmio Estudantil da E.E. Margarida Pinho Rodrigues, de São Vicente-SP.

O CVV e os jovens no século XXI



O CVV nasceu no século passado, época de muitas ambições, desejos e exageros; muitos conflitos, muita violência e aniquilamento humano. Nesse período formamos mais de 30 mil voluntários para compreender e multiplicar a nossa visão de mundo e as nossas práticas humanitárias.
Nossa missão sempre foi valorizar a vida, já que vivíamos numa sociedade que cultivava a morte em todos os aspectos. Escolhemos lutar contra o suicídio, não pela repressão e sim com a prevenção. Conseguimos superar parte desse obstáculo apenas pela simples oferta de amizade
Atualmente o CVV atende mais de 800 mil chamadas telefônicas por ano. Essas chamadas deverão ser ampliadas brevemente com o número gratuito 188, cedido pela Anatel e Ministério da Saúde. Precisaremos ampliar também o nosso quadro de voluntários.
E agora temos um novo desafio: ter jovens atuando como voluntários do CVV.
Queremos mostrar aos jovens que eles não são um problema para o mundo e sim a solução dos problemas que mundo criou antes que nascessem; problemas que ficarão cada vez mais difíceis nos próximos anos, por conta das intensas transformações já em andamento.
Quem herda equações herda também a responsabilidade de equacioná-las.
Os jovens são o melhor exemplo da cultura desse novo século de diferentes e mais complexas equações. Isso porque eles á nasceram com potencialidades diferentes dos adultos do século passado e mais adequadas a esse tempo.
Eles podem nos ajudar a conhecer melhor essa nova realidade nos ensinando como vivem, o que pensam e sobretudo sobre as sua necessidades e sofrimentos.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Congresso Nacional do CVV e Simpósio Internacional



O Congresso Nacional do CVV 2017 acontece também em Porto Alegre-RS e vai traçar planos e discutir estratégias e ações de prevenção do suicídio. Uma das metas é atingir  o número de 100 postos de atendimento presencial, ampliar o atendimento virtual e também aumentar a oferta dos programas de suporte do CVV Comunidade. 

A Cidade Luz e a amizade


Paris sempre muda o destino das pessoas. Em "Estação Amizade" não poderia ser diferente. A Cidade Luz é o cenário de uma inovadora forma de prevenção do suicídio entre jovens.

http://www.boanova.net/produto/estacao-amizade-71449 … …

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Estação Amizade ganha selo Boas Práticas da Secretaria da Educação SP


13/06/17
Professor mantém projeto de prevenção ao suicídio em escola de São Vicente

Apoio emocional trata das questões sentimentais dos jovens; educador é voluntário do CVV há 30 anos

Ouvir os jovens e fazer eles se ouvirem é o trabalho do professor Dalmo Duque dos Santos, da E.E. Margarida Pinho Rodrigues, de São Vicente. Com o Programa Estação Amizade, entre palestras e rodas de conversa, o educador promove uma relação de aproximação e respeito entre os estudantes.

 “O programa estação amizade é um programa de prevenção ao suicídio. Um programa de apoio emocional criado especialmente para jovens, que têm dificuldade de se comunicar, de se posicionar, de falar sobre os seus sentimentos, um programa temático que se concentra em questões sentimentais do humano em geral, mas especificamente dos jovens”, explicou o professor.

Para a aluna Sthefany Karoline Goes Santana, as atividades têm um grande impacto na vida dos adolescentes. “Eu acho importante porque a maioria das pessoas que sofrem com depressão e têm tendência suicida, elas não procuram ajuda abertamente. Então, um debate, uma atividade, levam essa pessoa a tomar uma atitude de procurar uma ajuda. Ela se sente acolhida”, disse.

De acordo com o professor, os alunos sempre manifestam confiança, melhoram, inclusive, o desempenho na escola. “Eles melhoram entre si como amigos, eles dão valor a essa questão da amizade e eu acho que esse programa reforça essa ideia de amizade, de confiança entre eles, de fidelidade, esses valores que para eles é muito difícil de entender”, disse.

Além dos debates e rodas de conversa, Dalmo é criador do blog Estação Amizade, que concentra informações para propagar a atividade desenvolvida por ele. “O objetivo é que mais pessoas conheçam, participem e articulem essas ações e com o blog eu consigo explicar como realizar a atividade na escola ou em qualquer lugar”, disse.

O educador é voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) há 30 anos, é autor dos livros "CVV, 50 anos ouvindo pessoas" e Estação Amizade – Dez jovens tentados ao suicídio", ficção voltada para o público jovem e base do programa de ajuda emocional. Atua como voluntário do CVV desde 1980 e atualmente é membro do Conselho Diretor do Centro de Valorização da Vida.






segunda-feira, 15 de maio de 2017

Prevenção do suicídio para jovens


A Editora do Conhecimento já está disponibilizando nas distribuidoras e livrarias a ficção "Estação Amizade", a história de dez jovens lutando contra o suicídio. O livro é direcionado sobretudo a jovens e adolescentes e tem como objetivo incentivar a formação de pequenos comitês e rodas de conversa de ajuda emocional nas escolas, clubes e agremiações religiosas e filosóficas.

http://edconhecimento.com.br/?livros=estacao-amizade

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Reasons Why' e as metáforas do desespero adolescente






Série da Netflix, feita para adolescentes e seus pais, aborda o suicídio sem condescendência. CVV relata aumento na procura de apoio no Brasil.

Amanda Mont'Alvão VelosoEspecial para o HuffPost Brasil

"Oi, é a Hannah. Hannah Baker."

Assim começam as últimas palavras da protagonista de 13 Reasons Why, produção original da Netflix que estreou na última sexta-feira (31).


Nó na garganta para uns, ameaça para outros, a desconfortável despedida de Hannah é um convite urgente da série para pensarmos os efeitos das palavras na vivência adolescente em um contexto de emoções subestimadas.


A gravação, deixada em analógicas fitas K7, lista os 13 motivos pelos quais Hannah, de 17 anos, decidiu terminar seu sofrimento com um suicídio. Cada motivo corresponde a um episódio.

Apesar de este texto conter alguns spoilers, o suicídio não é um deles. É a premissa da narrativa, baseada no livro homônimo de Jay Asher, de 2007, e que no Brasil foi lançado com o título Os 13 Porquês (Ática, 2009).

Enquanto o colega Clay Jensen, de 17 anos, ouve as fitas, acompanhamos a trajetória de Hannah, do próprio Clay e de alguns alunos na Liberty High School e nos espaços que orbitam a escola de ensino médio, como a lanchonete frequentada por eles (Monet's), as festas e as casas de cada um.

Dois lares são especialmente abordados: o dos pais de Hannah, enlutados e marcados pela ausência brutal da única filha, e da família de Clay, cujos pais tentam traçar alguma comunicação com o filho que nada revela.

Com sua trama e linguagem adolescentes, 13 Reasons Why à primeira vista pode parecer uma novelinha de angústias particulares, mas desenvolve profundidade e temáticas obrigatórias não só para pais de crianças e adolescentes, como também para a sociedade como um todo.

Nos EUA, a assustadora recorrência de tiroteios em escolas nos leva a pensar em um problema localizado, mas o bullying e o cyberbullying presentes nos colégios brasileiros estão relacionados a desfechos igualmente trágicos, como automutilações, agressões e assassinatos.

Mais do que alarmante, a narrativa é uma tentativa de entendimento do suicídio para fins preventivos e também reflexivos. Sinais que passam despercebidos, metáforas de desespero não assimiladas e sofrimento silenciado costumam vir à tona tardiamente como pedido de ajuda, gerando ainda mais angústia diante do irreversível.

Longe da ficção, Sue Klebold, mãe de Dylan Klebold, um dos adolescentes responsáveis pela tragédia na escola americana Columbine, em 1999, se recrimina por não ter percebido as intenções do filho que, antes de se suicidar, atirou e matou colegas da escola:
Seus amigos mais próximos, garotos com quem ele conviveu todos os dias durante anos, não sabiam quanto ele estava desesperado. Alguns se recusam a acreditar nessa caracterização até hoje. Mas eu era a mãe dele. Eu deveria saber.Sue Klebold, no livro 'O Acerto de Contas de uma Mãe – A Vida Após a Tragédia de Columbine'

O suicídio pressupõe uma dolorosa especulação: por que uma pessoa amada resolve desistir da própria vida? Em um dos momentos mais comoventes da série, a mãe de Hannah, Olivia, lamenta a ausência de um bilhete que dê algum tipo de justificativa para a decisão da filha.

Nem Olivia nem o marido, Andy, conseguem conciliar a memória que tinham da garota com o presente devastador que agora precisam enfrentar. Para tentar suprir essas lacunas, entram na Justiça pedindo a responsabilização da escola.

13 Reasons Why não deixa de ser um preenchimento ficcional em cima de uma angústia, uma fantasia de explicação que permite dar sentido ao que aconteceu -- pois na vida real não temos tais respostas, mesmo quando bilhetes ou posts nas redes sociais são deixados.
Transbordamento sem aviso prévio

Nas 13 motivações de Hannah, narradas como acontecimentos que vão aumentando a falta de perspectiva no futuro, o suicídio não é apontado como desfecho dramático de um acontecimento único, como o cyberbullying de uma foto mal-intencionada, uma humilhação na frente de toda a classe ou o fim de um relacionamento. "O suicídio é o desfecho de uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo", esclarece a Associação Brasileira de Psiquiatria.

A ideia suicida vem do acúmulo de situações, como um copo que vai se enchendo e que transborda com uma gota d'água (a perda de um emprego, por exemplo), levando à sensação de total impotência e desespero, explicaram ao HuffPost Brasil os voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV), que há 55 anos atua na prevenção do suicídio no Brasil.

"Dificuldades financeiras, assim como guerras, ditaduras e outros cenários críticos podem ser fatores de pressão externa e 'adicionar água ao copo' de muitas pessoas, mas não podem ser apontados como motivos exclusivos de suicídio. Cada pessoa tem um limite próprio e reage de maneira diferente aos mesmos estímulos, então é essencial sempre encontrar maneiras de 'esvaziar o copo' antes que chegue na borda."

Esvaziar o copo, porém, passa pelo reconhecimento de que este esteja cheio, e na vivência adolescente, em que as emoções particulares de cada um ficam obscurecidas, camufladas ou disfarçadas, o transbordamento chega sem aviso prévio.

Comportamentos que poderiam ser interpretados como sinais, como o silêncio ou a agressividade, são reduzidos à faixa etária: "isso é fase, vai passar". Como se a adolescência em si justificasse os sintomas apresentados...

A transição de uma criança para o universo adulto jamais deveria ser tratada como banal, e esta parece ser a maior contribuição de 13 Reasons Why.

No mundo adulto da independência e das responsabilidades cabem a raiva, a tristeza, o medo e a dissimulação. Por que haveria de ser diferente no "não-lugar" que é a adolescência, esse período da vida em que um pé está no infantil, e o outro ensaia passos adultos?

A intensidade dos sentimentos tem resposta proporcional à maneira como as pessoas reagem ao que é dito para elas. Uma ofensa em um vulnerável período de constituição da identidade faz reverberar inseguranças e frustrações, e só mesmo a ressignificação daquilo que machuca poderia dar ou devolver o sentimento de integridade.

Hannah tenta colocar em palavras, para destinatários específicos, as suas motivações. Curiosamente, ao terminar a fita 12, Hannah sente certo sentido em viver. Mas o que ocorre é a mortal impossibilidade de conseguir conversar com os pais, com Clay ou com o conselheiro da escola.

Ela não encontrou escuta para seu sofrimento nem insistiu em tentar comunicá-lo, muito possivelmente por não saber colocá-lo em palavras.

Crianças invariavelmente recorrem aos jogos e brincadeiras para expressar o que se passa em seus mundos internos. Nem a mais aparente eloquência de um adolescente, porém, pode garantir que ele consiga dar vazão às suas emoções. Ao mesmo tempo, a escola dela falhou em fazer a escuta sensível daquilo que não se consegue pronunciar.


A Comunicação Indispensável

As redes sociais se apresentam como poderosos meios de comunicação, mas como vemos no cyberbulling de Hannah, também configuram novas formas de sofrimento e ressaltam, para mais pessoas, desamparos e desesperos alheios.

O público suplanta o íntimo, e prevalecem as aparências em detrimento de um interior necessitado, mas sem a gramática necessária para pedir ajuda.

Clay demonstra, em vida, essa falta de comunicação dos próprios sentimentos, reservando às lágrimas no chuveiro e à raiva as únicas possibilidades de extravasar seu (temporariamente) arruinado mundo particular.

Falar de suicídio é falar de prevenção; é dar nome ao que atormenta e ao que se apresenta como impossível. A cada dia, pelo menos 32 brasileiros se matam, segundo dados do Ministério da Saúde e da OMS.

A prevenção poderia salvar a vida de nove entre dez pessoas que hoje se suicidam. A produção da Netflix parece encampar essa mensagem com personagens que podem ser reconhecidos em escolas de todo o mundo.

O estímulo à prevenção surtiu efeitos, pelo menos no Brasil. Segundo o CVV, desde a estreia do série, os pedidos de ajuda ou de conversa enviados por e-mail aumentaram em mais de 100%, com 25 mensagens mencionando 13 Reasons Why.

Ainda que apresentada como série adolescente de mistério, com personagens carismáticos e algumas tiradas de humor, 13 Reasons Why não foge do incômodo e da perplexidade provocados por um suicídio. O tempo todo se especula em torno da narrativa de Hannah, até que o suicídio em si abruptamente nos coloca na posição de encarar o fato, a decisão, a dor e a finitude que vem com ele.

O que a ficção da série consegue é um debruçar nosso sobre o insuportável da realidade, sobre aquilo que não se diz, nem tampouco se escreve. Sobre a angústia da ausência de respostas, e sobre a inibição de perguntas que podem apontar novos caminhos diante do sofrimento insuportável, porém, reversível.


LEIA MAIS:

- Uma conversa sobre suicídio, um convite à vida

- Quem pensa em se matar pode mudar de ideia: O suicídio pr


Divergência arte e ciência


CIÊNCIA E ARTE DIVERGEM SOBRE ABORDAGEM DO SUICÍDIO. A série da Netflix "13 reasons why" ("Os 13 porquês") vem fazendo um sucesso estrondoso entre o público adolescente, apesar de algumas cenas consideradas inadequadas para os padrões científicos. Exageros ou ou não, a verdade é que nunca um tema como esse foi direto ao ponto (como sempre cobramos), quebra um tabu e força a opinião pública a se posicionar sobre o assunto. Sobre os efeitos ou repercussões comportamentais, não temos como aferir ou dimensionar algo tão subjetivo como os sentimentos e as escolhas humanas, mesmo se tratando de jovens.

A arte imita a vida


A ARTE IMITA A VIDA MAS NÃO TEM PODER SOBRE AS ESCOLHAS. Se algum adolescente vier a se matar após ter visto a série da Netflix "13 reasons why" ("Os 13 porquês"), não terá sido por causa do conteúdo e das cenas impressionáveis e sim porque vai buscar entendimento e ajuda sobre seus sentimentos suicidas, porém nem sempre encontra ali ou em qualquer outro lugar respostas satisfatórias para suas dores e necessidades íntimas.

Fatores de risco e proteção.





segunda-feira, 20 de março de 2017

55 anos ouvindo pessoas


Suicídio e pobreza na Inglaterra


Um chocante relatório dos Samaritanos mostra que já existe uma ligação direta entre a pobreza e o suicídio em todo o Reino Unido. O relatório “Morrendo de desigualdade” identificou lugares que sofrem de níveis mais elevados de pobreza e baixa renda, tendo portanto, têm maiores taxas de suicídio. Os homens são mais propensos a sentir os efeitos negativos da crise econômica em que as mulheres e os desempregados têm quase três vezes mais chances de tirar a própria vida do que aqueles que têm um emprego remunerado. A presidente do Samaritans Ruth Sutherland disse: "Este relatório diz que não está certo, não é justo e isso tem que mudar. Mais importante, este relatório apresentar, pela primeira vez, o que precisa ser feito para salvar vidas. "Enfrentar a desigualdade iria remover as barreiras para ajudar e de apoio, onde eles são mais necessários e reduzir a necessidade de que o apoio em primeiro lugar. "O governo, serviços públicos, os empregadores, prestadores de serviços, comunidades, família e amigos, todos têm um papel para que a ajuda seja relevante e acessível”, concluiu.

Poder restaurador da arte.


UM FILME que mostra farrapos humanos sendo reconstruídos pela arte. Cinebiografia da Dra. Nise da Silveira e seu magnífico trabalho no Hospital do Engenho de Dentro e que foi elogiado por Carl Gustav Jung.



Suicídio entre professores do primário na Inglaterra


O risco de suicídio entre os professores da escola primária e jardim de infância foi de 42 por cento mais elevado do que os padrões na população mais ampla da Inglaterra durante o período de 2011 a 2015, de acordo com dados divulgados pelo escritório de estatísticas nacionais (ONS). Houve 139 suicídios entre os profissionais de ensino e educação durante o período e quase três quartos (73 por cento) destes — ou 102 suicídios — foram registrados como professores primários e berçário.

As impressionantes estatísticas sobre professores primários vem em meio a advertências que crescentes pressões na profissão — em que cerca de 90 por cento dos funcionários são mulheres —, é "uma das ocupações mais altamente estressadas no país hoje", diz o jornal The Independent; o "unmanageable" carga de trabalho causou-lhes desenvolver problemas de saúde mental.

http://www.independent.co.uk/…/primary-school-teachers-suic…

Ao redor do mundo


Estamos vivendo em tempos difíceis. Precisa falar com alguém? Estas pessoas podem ajudar: @800273TALK, @Translifeline, @CrisisTextLine, @trevorproject

PAPYRUS versus o suicídio de jovens



APYRUS é uma ONG de prevenção do suicídio de jovens na Inglaterra. Ela envolve jovens, pais, adultos, empresas, ativistas e profissionais voluntários para percorrer as cidades e países interessados em conhecer sua proposta de esclarecimento sobre o crescente número de suicídios de adolescentes. https://twitter.com/PAPYRUS_tweets


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Solidão e solidariedade


A VIDA SOLITÁRIA é muito cultivada com sinônimo de liberdade e conforto para muitos atualmente. Mas quando se trata de pessoas depressivas, as que não têm opção de convívio, e que passam por situações difíceis, a solidão é um fator muito preocupante e perigoso. Os pensamentos e hábitos negativos se sobrepõem aos nossos valores e crenças e não raro sucumbimos à auto-destruição. Fiquemos sempre atentos aos amigos nessas condições, próximos e das redes sociais. Reservemos sempre um tempinho para um papo edificante ou para um desabafo, rápido que seja. Se for tímido ou não se sentir capaz, não se preocupe muito em dar conselhos e dicas. Ouça em silêncio e diga coisas simples, para dizer que está sempre por perto. Ajuda muito.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Manhãs de depressão e angústia

O período da manhã é o mais difícil para quem está deprimido.

A angústia, a sensação de fraqueza e desânimo são implacáveis. É quando o Espírito retorna ao corpo, depois de alguns momentos de liberdade espiritual durante o sono, e cai novamente no campo físico de provas.

Reaja, ore com propósito e confiança.

Levante-se, fique em pé. Não se deixe dobrar. Logo passa.

Ps. Essa reflexão não dispensa a orientação e o tratamento médico.