CVV JOVENS

Jovens do CAMP Rio Branco em São Vicente SP celebrando na Ponte Pênsil o Setembro Amarelo e o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

PARAR E OUVIR



Pode parecer apenas mais uma frase utópica, mas é exatamente isso que nós do CVV e de muitas outras ONGs de ajuda emocional pensam sobre o que está acontecendo ao nosso redor e ao redor do nosso planeta. 

Somos quase 8 bilhões de seres humanos que foram educados numa época em que falar era a principal marca da presença humana nas suas inúmeras atividades. 
A comunicação racional falada tornou-se prioridade como posicionamento e disputa de posse dos espaços humanos. Nesse universo confuso de “falantes mecânicos” e “surdos funcionais”, procuramos desesperadamente ouvintes para as nossas falas discursivas e de convencimento, que esquecemos e evitamos ouvir o que os outros querem falar. 

Somos apenas ouvintes formais e funcionais. Só escutamos pensamentos. Ou fingimos que escutamos. Não conseguimos ouvir os sentimentos das pessoas. Eles tentam falar de experiências emocionais, porém somos bloqueados para ouvir coisas sentimentais. 

Só prestamos atenção em idéias. Se a idéia é considerada útil e de valor econômico ganha rapidamente a atenção dos ouvintes práticos e funcionais. O mesmo não acontece com as expressões emocionais, reservadas só para os artistas.

Prova disso tudo é a pobreza e escassez no nosso vocabulário de sentimentos e emoções, praticamente restrito aos poetas.

Pessoas comuns são praticamente proibidas de expressar emoções comuns. Elas são geralmente rotuladas de “bobagens” passageiras e caladas pelas soluções superficiais.

Ora, mas é exatamente o contrário. As idéias é que são efêmeras e morrem pelo desgaste, logo depois dos seus usos múltiplos. As emoções não são efêmeras. Elas permanecem conosco, principalmente quando suas causas não são identificadas e seus efeitos não são equacionados. 

As emoções e sentimentos não comunicados geram dores e angústias que os remédios não curam e as fugas não preenchem os vazios íntimos deixados por elas. Elas só passam quando são ouvidas e compreendidas por meio da escuta e atenção afetiva. 

O volume de queixas emocionais e sentimentais vem se acumulando e aumenta a cada dia em nosso mundo. E como uma grande represa com poucas e pequenas válvulas de escape. 

Se essas queixas fossem ouvidas elas evaporariam desse imenso lago cinzento de medo, angústias, tristezas e ansiedade. Não secaria, porém ficaria em nível suportável e até normal. 

É por isso que a nossa proposta inicial não é apenas uma utopia. É uma idéia com proposta de ação e multiplicação. Falar e ouvir de forma emocional e sentimental recíproca. Isso até melhoraria a nossa comunicação racional, muitas vezes frustrada pelas rejeições e que se transformam em sentimentos ruins e emoções doentes. 

É muito simples. Parar e ouvir por alguns instantes. Ouvir com o coração e não somente com o cérebro. 

Isso pode mudar as pessoas e também o mundo.


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